Conheça a história da Usina Hidrelétrica do Rio São João

por | 30/05/2022

O canteiro de obras

Vencedora da concorrência pública em 1939, a Dolabella & Cia. Ltda, foi a empresa contratada para a execução de todas as obras de infraestrutura do complexo turístico com projetos do Arquiteto do Serviço Florestal do Ministério da Agricultura, o carioca Angelo A. Murgel. A empreiteira instalou o seu canteiro de obras em três pontos diferentes dentro do Parque Nacional:

O primeiro e principal acampamento, situado na Vila São João, local hoje ocupado pelo Quartel da Polícia Florestal e Escola. Abrigava em torno de 200 homens em dois alojamentos e aproximadamente 4 x 100 metros e mais 20 casas funcionais. Neste local, foram instalados: a Serraria, que produzia as tábuas, vigotas e etc; a Carpintaria, onde se produziam os assoalhos, tacos e esquadrias; a Oficina Mecânica e o Britador, na época fixado junto à Ponte do Rio São João. 

Os operários deste acampamento eram encarregados da operação e manutenção destas instalações e também das construções da Sede Administrativa (Museu). Casa de Hóspedes, Casa do Administrador, Casas Funcionais, Calçamento e Usina. 

O segundo, também chamado Acampamento da Bananeira, situado no quilômetro 3,5 a partir do Hotel das Cataratas, tinha um alojamento para 80 homens. Ali ficava a Olaria, onde eram produzidos os tijolos e telhas para as construções, e que posteriormente recebeu o Britador. 

O acampamento do Hotel, o terceiro, recebia em seus alojamentos, aproximadamente 150 homens, responsáveis pela construção do Hotel, calçamentos e instalações elétricas e hidráulicas. 

Os alojamentos eram construídos com paredes duplas de taquaruçu e cobertura de sapé. Cada trabalhador era responsável pela sua própria alimentação e vestimenta. O salário médio pago pela empreiteira era de $3000 (três mil réis) por hora. O engenheiro Chefe da Dolabella & Cia. Ltda. era Jair Lima Netto. 

A usina provisória

Para o suprimento da energia elétrica necessária à iluminação e alimentação dos maquinários do Canteiro de Obras, a Dolabella & Cia. Ltda., instalou entre a Ponte do Rio São João e a Casa de Máquinas, um grupo hidrogerador em sua propriedade, com uma turbina do tipo Francis, um gerador de 21 KVA em 50 Hz e um transformador elevador de tensão de 220 para 9000 volts, todos abrigados em uma casinha de quatro metros quadrados. 

Do porto oficial para o Parque Nacional do Iguaçu, o transporte foi realizado em caminhões. Descarregado junto a sede administrativa (museu), chegou ao seu destino definitivo, na Usina, numa zorra, tracionada por junta de bois, (zorra – forquilha de tronco onde se instalava um estrado para transporte de cargas por arrasto).

A geração experimental de energia ocorreu no primeiro trimestre de 1943, passando a operar regularmente a partir de agosto do mesmo ano. A usina foi concluída, sem as obras de ornamentação, no final de 1943. Sabe-se no entanto, que em 17/05/1945, ainda haviam pendências de construção, que impediam o seu recebimento oficial pelo Parque Nacional do Iguaçu. 

O pico das obras, ocorrido em 1942, empregou 30 homens na construção da Casa de Máquinas. 

Desde 10/04/1944, a fiscalização ficou oficialmente a cargo do administrador do Parque, o agrônomo Mário Câmara Canto. A partir de 06/10/1945, a responsabilidade foi passada ao desenhista do departamento de obras do serviço florestal, Humberto Nabuco Rodrigues dos Santos, nomeado pelo Ministro da Agricultura, Apolônio Salles. 

O encarregado pela usina, que empregava sete operadores, era o Sr. Diego Ignacio Vera. A assistência técnica era dada por um técnico residente em Irati, Paraná. 

O custo apurado pela construção, foi de Cr$3.797.115,03 (três milhões, setecentos e noventa e sete mil, cento e quinze cruzeiros e três centavos), valores atualizados em 1946, incluídas as linhas de alta tensão. 

Para a complementação das linhas de transmissão e das obras de ornamentação, orçou-se na época, mais de Cr$1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil cruzeiros). 

O abastecimento de Foz do Iguaçu

Considerando que o atraso nas obras de construção de diversas edificações dentro do Parque Nacional e em particular do Hotel das Cataratas provocava uma sobrecarga expressiva de energia gerada pela usina; atendendo aos apelos da população e do Prefeito do Município de Foz do Iguaçu, o Governo do Estado do Paraná e o Ministério da Agricultura firmaram um “termo de acordo” em 12/07/1948, publicado no Diário Oficial de 28/07/1948, para o suprimento da cidade, como reforço ao sistema de distribuição existente. 

Consta que a cidade era suprida na época por um grupo Locomóvel, máquina a vapor, com caldeira a lenha e motor a pistão, que rodava um gerador através de transmissão mecânica a corda de cânhamo, instalado no Bairro Boicy.

O acordo previa o suprimento de energia elétrica por cinco anos, tempo necessário para a conclusão das obras em atraso. Em troca do fornecimento dos 150 kW cedidos pela Usina, o Governo do Estado do Paraná se obrigava, dentre outras coisas, a construir um segundo reservatório a montante da barragem principal e a manter às suas expensas, dois eletricistas para a operação e manutenção da usina. A obra foi iniciada provavelmente em 1949 e concluída possivelmente em 1955, por falhas no cumprimento de cláusulas acordadas, o que provocou, a partir de 1953, data de encerramento do “Acordo”, um suprimento precário e deficiente. A falta de água na Usina e os aumentos nas demandas da Cidade e do Parque Nacional, já impunham racionamento de energia à Cidade desde 1951, principalmente nos períodos de seca. 

A Usina forneceu energia elétrica ininterruptamente a Foz do Iguaçu até março de 1959, quando as cargas do Parque aumentaram consideravelmente, exigindo a produção máxima das máquinas. Foi preciso reduzir o suprimento para Foz a somente 12 horas diárias, excluindo o período noturno. 

O Chefe do Serviço de Luz e Força de Foz do Iguaçu era Armindo R. Matte. O corte definitivo no suprimento à cidade se deu em 30/07/1959.

A desativação da usina

O volume de água armazenado nos reservatórios, era insuficiente para movimentar as duas máquinas simultaneamente por longos períodos ininterruptos, daí a necessidade da construção da Barragem de Regularização, a montante da barragem principal. Já em 04/07/1944, o administrador Mário Camara Canto, alertava o diretor de serviços florestais, João A. Falcão, para a falta de água provocada pelos longos períodos de estiagem, prevendo dificuldades no fornecimento de energia, quando fosse incrementado o consumo, sugerindo a elevação da barragem principal em um metro, para o aumento do reservatório.

Relatórios mais recentes indicam que a partir do corte no fornecimento de energia para Foz do Iguaçu, a usina passou a operar com somente uma das máquinas em regime de revezamento. Sabe-se que nos períodos de seca, os problemas trazidos pela falta de água se agravavam, provocando frequentes desligamentos para a recomposição dos reservatórios, de modo a permitir o atendimento dos horários críticos de maior demanda. 

Neste período, a Usina supria apenas as cargas instaladas no Parque Nacional. Durante a sua vida útil, a Usina foi reformada em pelo menos três ocasiões: 1947, 1949, 1962. 

A desativação definitiva ocorreu em 1982.

A tentativa de restauração e reativação

Veio a grande cheia de 1983, quando a casa de máquinas ficou totalmente submersa. Vieram os danos causados pela ação do tempo, a umidade excessiva corroía cada peça impiedosamente. E veio por fim o homem, a depredação foi brutal. Pouco ou quase nada sobrou intacto. 

Redescoberta em 1985, despertou em alguns amantes da história, da beleza natural e principalmente da memória da eletricidade, o desejo da restauração e reativação, para colocá-la operando, em respeito à sua profunda expressão cultural, a despeito de suas minúsculas dimensões, mas por seu pioneirismo, no mesmo município onde hoje opera a maior hidrelétrica do mundo: Itaipu. 

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