Algodoal, ilha de Maiandeua

por | 20/05/2017

Um post sobre um lugar como este já começa com uma curiosidade: o nome da ilha na verdade é Maiandeua, mas o apelido que pegou (Algodoal) vem da mais popular das suas quatro vilas. A origem desse nome tem duas hipóteses: há em grande número na ilha uma planta que parece algodão. E as dunas, que quando vistas de longe pelos navegantes lembram campos de algodão.

A ilha foi ”fundada” em meados de 1929 e tem mais de 20 km em extensão de praias, manguezais e trilhas ecológicas.

Como chegar?

Saindo de Belém, vá pela BR-316. Em seguida, pegue a PA-136 e então siga pela PA-138 (todas em bom estado) até o porto de Marudá. Lá você irá pegar um barco com destino à ilha de Algodoal (Maiandeua).

Só há essa possibilidade de acesso à ilha: carros ou motos não circulam na ilha. Existem apenas dois ou três veículos pequenos que atendem às emergências médicas. Para se locomover você pode contar com bicicletas ou charretes puxadas por tração animal: nada de poluição!

Onde ficar?

Antes de escolher lugares para se hospedar, você precisa saber de algumas coisas:

Na ilha tem as pessoas que moram lá durante todo o ano e tem os “garimpeiros”, que vão somente na época de alta temporada para fazer algum dinheiro com o turismo local. Algodoal sobrevive praticamente por causa do turismo e essa prática dos garimpeiros (que gastam o dinheiro ganho longe de lá) acaba prejudicando a economia da ilha e de quem depende dessa fonte de renda para viver. Sabendo disso, antes de usar algum serviço ou comprar algum produto, procure se certificar de estar negociando com um nativo e contribuindo para sua subsistência.

Quanto mais perto da Praia da Princesa você ficar, melhor vai ser a sua localização. A pousada Ponta do Boiador parece ser muito boa. Não me hospedei lá, mas vou recomendá-la no lugar da pousada que eu fiquei porque eu realmente não gostei dela.

*Sempre desconfie de hospedarias que tenham muita informação na internet. A conexão raramente funciona na ilha e você pode estar entrando em uma cilada: tem gente que se aproveita disso para dar calote, então é bom checar muito bem antes de efetuar qualquer depósito ou pagamento antecipado.

No Pará é muito comum dormir em redes e mesmo que você tenha ido sem lugar para ficar, tem boas chances de encontrar uma rede para pernoitar. Os nativos recebem os turistas na casa deles e quase todo mundo tem redário por lá. Não é uma cama super confortável, mas com certeza será de coração: é um povo simples, acolhedor e receptivo. 

Minha percepção

A ilha de Algodoal é um lugar simples e mágico. Quando digo simples, quero me referir ao modo em que as pessoas vivem: a gastronomia, por exemplo, é riquíssima. A cultura algodoalense é muito rica e cheia de lendas. Os locais adoram contá-las para os turistas!

Se você tiver a oportunidade de se aprofundar na cultura local, vai perceber que os moradores locais acabam priorizando tudo que seja natural: desde a alimentação até os remédios, e até os partos que normalmente são feitos por uma parteira. Claro que a dificuldade de acesso e os meios disponíveis contribuem pra isso, mas há sim uma vontade coletiva de manter o modo de vida tradicional.

Tanto que a luz elétrica só chegou por lá no ano de 2005. Antes disso, era só a iluminação do dia, lampiões a diesel, velas, lanternas. E se dependesse de uma parte dos moradores, ela não teria vindo até hoje: muitos grupos foram contrários por acreditarem que isso traria muitos problemas modernos e que fariam mal ao meio ambiente. A água vem de poços artesianos e por isso às vezes falta.

Como comentei ali em cima, é proibido a entrada de veículos motorizados na ilha e algumas pessoas usam charretes. Eu particularmente preferi não utilizar porque morro de dó dos animais, que às vezes carregam o peso de até 5 pessoas e mais algumas malas. 

No final da tarde em alta temporada a praia da princesa lota, mas é só uma parte. Eu fui um dia nesse agito e logo me mandei embora. Não é minha praia. Descobri que quanto mais se anda em direção contrária a vila, mais sossego pode-se ter.

Falo dessa agitação, mas saiba que a calmaria ainda predomina: Algodoal ainda é basicamente uma vila de pescadores. O fluxo de pessoas só se intensifica mesmo nas férias de julho, na semana santa e no réveillon.

Nessas épocas, pra quem gosta, lá tem uma vida noturna razoavelmente agitada ao som de reggae, tecnobrega, o carimbó e outros ritmos regionais.

Minhas recomendações

Restaurante do Chico: fui lá todos os dias, pelo menos em uma das refeições. O lugar tem uma comida super caseira, o atendimento é ótimo e sempre tem boas opções de cardápio, que variam de acordo com o que tiver de mais fresco.

Ellen Lanches: comi uma tapioquinha incrível por lá. Um dos proprietários é nativo da ilha: vale ir lá nem que seja só para ouvir algumas boas histórias, eles adoram conversar!

Mupeua: é o ponto de encontro dos gringos que visitam a ilha. O bar tem um ótimo ambiente e uma energia bem legal. Vale a pena conferir!

Barraca do Coco: fica no caminho para a Praia da Princesa. Um “prato feito” simples e delicioso. Além disso, é uma ótima dica de lugar para descansar daquele sol que torra a cabeça. Às vezes tem música ao vivo por lá.

Ilha do Marco: tem os botos e a Pedra Chorona (os povos antigos acreditavam que a pedra chorava por verter água do seu interior, mas na verdade se trata de um olho d’água).

Lagoa da Princesa: é um passeio imperdível, mas só vale a pena ir durante o inverno paraense (em meados de julho). Fui em janeiro e ela estava sequinha! Que decepção! A parte boa é que tinha uma sorveteria muito bacana por ali. Há duas trilhas que dão acesso à lagoa, que é cercada de mistérios e lendas (dizem ser o reino submerso de uma princesa já avistada por pescadores). Foi escolhida por uma importante publicação norte-americana como uma das 10 praias mais interessantes do Brasil!

Beijos e qualquer coisa, contem comigo!

Gi Salvatti.

Descubra o lado cool de Foz do Iguaçu • Anfitriã de Foz do Iguaçu

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